“É bem triste, porém, ver que comumente a música, este precioso dom da divindade, esta grande mola do coração humano, que os gregos não sem causa chamavam, no seu todo, a mestra dos costumes, esteja hoje em dia por caprichos vaidosos dos grandes compositores, ou por nímio amor de novidade, reduzida em grande parte às chamadas bravuras e volatas de garganta; ou transformada em afetada dona, carregada dos arrebiques e ouropel de harmonias extravagantes e forçadas.”
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Américo Elísio
Pseudônimo arcádico que José Bonifácio usa como poeta. É um codinome pastoril e patriótico. Em seu único livro de poesias, Poesias avulsas, publicado em 1825, durante seu exílio na França, esse pseudônimo exprime toda uma plataforma literária: o Elísio, território das musas, transplantado para a América. Nitidamente inspirado pelo arcadismo, com seus motivos pastoris, seus amores idílicos, evocativos muitas vezes de cenas gregas, o poeta Bonifácio surpreende, entretanto, com posições estéticas avançadas para a época. Por exemplo em sua justificativa para o uso de versos brancos, sem rima, ao dizer que “a nossa bela língua não precisa, absolutamente falando, do zum zum dos consoantes para fixar atenção e deleitar o ouvido”.