“É preciso sacrificar-se para o bem do Brasil, e tu não verás este bem; os campos estarão cheios de sementeiras e de flores; e tu as não gozarás. A esposa, que amavas, te consolará com esperanças de melhor futuro; mas tu já não existes, foste vítima de malvados. Ela chorará sobre teu cadáver, mas suas lágrimas ardentes se ensoparão na terra fria do teu sepulcro sem que aqueçam teu coração. Ah, como o engenho, o patriotismo e a virtude se secam e mirram nestas considerações! Mas vivamos hoje, se no-lo permitem; e não lutemos contra o destino. O indivíduo é nada, a espécie é tudo.”
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Viagem científica
Pouco depois de se tornar bacharel em Leis e Filosofia Natural pela Universidade de Coimbra, José Bonifácio recebe do governo português uma bolsa de viagens pela Europa, onde, por dez anos, irá se especializar na teoria e na prática da Mineralogia e da Metalurgia. A viagem começa por Paris, em 1791. Sabe-se que nesse período ele estuda com os célebres professores Antoine-François Fourcroy e Jean-Pierre-François Guillot-Duhamel e que é aceito em pelo menos duas sociedades científicas: a Sociedade Filomática e a de História Natural. Da França segue, em 1792, para Freiberg, na Saxônia, então um dos principais centros de estudo de Mineralogia, onde por dois anos cursa a Escola de Minas, diplomando-se em Orictognosia (maneira prática de determinar os minerais) e Geognosia (literalmente, conhecimento da Terra). Durante esse período, acumula informações empíricas sobre metalurgia e jazidas de minérios. Sofre a influência de Abraham Gottlob Werner, mas também de outros professores, como Lampadius e Charpentier.
Os conhecimentos adquiridos na Saxônia logo são aplicados em viagens por várias províncias mineralógicas européias. Primeiro, em 1794-6, pela Boêmia, Áustria e Itália. Nos dois anos seguintes, demora-se sobretudo na Escandinávia, percorrendo suas ricas jazidas. Lá descreve pela primeira vez quatro minerais (espodumênio, criolita, escapolita e petalita – este, hoje, especialmente relevante, por dele se extrair o lítio) e oito variedades dos mesmos. Até 1799, faz várias viagens pelo norte da Europa, sendo admitido em diversas sociedades científicas. A viagem científica de José Bonifácio chega ao fim em 1800, quando é nomeado intendente geral das Minas e Metais do Reino e professor em Coimbra.